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quinta-feira, 3 de outubro de 2013



Entrevista 22 – Parte I



Secretário Bilíngue de uma multinacional na Alemanha, intérprete de eventos em Berlim, trabalhou em algumas letras musicais para o cantor Édson Cordeiro. “Café com Siéllysson” entrevista mais um santa-ritense que faz a diferença,  
Flávio Lopes.

Chego atrasado cerca de cinco minutos como todo bom brasileiro, ele já se encontrava no lugar marcado com minutos de antecedência como todo “bom europeu”. O mesmo riso largo do passado do garoto de 13 anos atrás. Algumas vezes parou a entrevista para rir e dizer: “Parece que nos vimos ontem e resolvemos continuar a conversa hoje” Disse-lhe:“É Flávio, parece que o tempo não passou porque continuamos os mesmos, mudamos apenas com as experiências da vida, mas nossa essência é a mesma.” tive a certeza de que o jovem santa-ritense continuava o mesmo humilde por natureza.  Assim, em um papo que durou horas gravamos nossa entrevista que vocês terão acesso em duas partes. Na primeira, ele fala das experiências como tradutor e intérprete na Alemanha. Na segunda parte, ele fala sobre o Brasil e Alemanha como pátrias, música brasileira na Alemanha e sua amizade com o cantor Édson Cordeiro que hoje vive em Berlim.

SIÉLLYSSON – Vamos iniciar nosso papo falando sobre sua atividade de tradutor na Alemanha. Você estava lá há quanto tempo? Quando começou a desempenhar a função de tradutor?
FLÁVIO - Eu fui para Alemanha com o intuito de aprender melhor a língua, depois de mais ou menos dois anos que eu tinha começado um curso de secretário bilíngue, eu já não estava mais na cidade onde fui morar nem com a família onde morava inicialmente, depois que terminei o curso me inscrevi numa prova e passei para trabalhar em Berlim. Em “Nuremberg” quando morava lá eu fazia tradução para polícia; quando tinha brasileiros ou portugueses envolvidos com situações complicadas ou furtos (risos), a polícia me chamava, porque meu nome estava escrito lá para fazer traduções. Eu também fui para uns fóruns quando houve um julgamento de um rapaz de Moçambique, eu fui lá fazer a tradução dele diante do julgamento.
SIÉLLYSSON – Você trabalhou como tradutor para o cantor Edson Cordeiro, como se deu esse contato?
FLÁVIO - Essa questão de trabalhar com gente famosa, como Édson Cordeiro, foi por questão de amizade. Um amigo meu, que é de João Pessoa que também mora em Berlim ligou para mim “Flávio tem uma pessoa que você podia conhecer, essa pessoa se chama Edson Cordeiro, que é um cantor do Brasil”. E a gente começou a se encontrar. Quando fui encontrá-lo achei que seria uma pessoa super chata, mas, depois de umas semanas a gente foi se encontrando e tomávamos café juntos à tarde e ele me disse: “Flávio, eu estou para cantar umas músicas em alemão. Talvez você possa me ajudar com a letra”. Daí eu passei a ajudá-lo, passei a letra em alemão para ele cantar, hoje ele canta em alemão letras que trabalhamos juntos.
Eu fiz também trabalho para feiras internacionais em Frankfurt que até hoje faço. Eu tiro alguns dias de férias e faço um trabalho de tradução para empresas de vidro, que pertence ao Sindicato de Fabricantes de Vidro em São Paulo.
SIÉLLYSSON – As traduções são escritas ou orais?
FLÁVIO - São orais mesmo. Eu trabalhei como intérprete e esse trabalho eu faço anualmente, sempre em fevereiro, em cada ano é uma feira de decoração com artigos de vidro. Eu fico lá num stand de 9 empresas paulistas, que no começo foi muito difícil para mim porque os paulistas tratam os paraibanos de uma maneira diferente, com o tempo eu obtive mais respeito deles.
SIÉLLYSSON – Diferente como? Preconceituosa?
FLÁVIO - Com certo preconceito porque eles subestimam “um pouco” a capacidade do paraibano. (Ele prolonga a palavra pouco, como se tentasse amenizar o preconceito, como vi durante nossa entrevista, que ele ameniza as dores, por ser uma pessoa otimista e boa) Eu me lembro que quando comecei lá, eu fui contratado através de uma empresa de Frankfurt, que tinha meu nome porque eu já tinha trabalhado para eles, eu traduzia do português para o alemão. Daí, eles me chamaram para esse evento, que é um evento longo de cinco dias em Frankfurt. E eu tinha que ficar dando assistência de tradução para as 9 firmas de São Paulo. Eu pensei muito antes de ir; pensei: “Eu vou para lá? Um porco no meio do matadouro? Eles vão me triturar lá”
SIÉLLYSSON - Por que você achou isso?
FLÁVIO - Porque eu já conhecia o modo dos paulistas em Berlim. Há uma diferença de está no Brasil e está na Alemanha, o tratamento muda um pouco. Eles são mais rígidos, mais críticos. E foi uma experiência pesada porque você vê o preconceito num país estrangeiro dos próprios brasileiros. Assim quando eu comecei veio a pergunta: “De onde você vem?” Eu disse “Eu sou brasileiro.” “Mas de onde?” eu disse “Eu sou da Paraíba e venho de uma cidade chamada Santa Rita, uma cidade super pequena” “E você veio parar aqui?” Essa foi a pergunta dele (Não especificou a pessoa e segue). Eles se admiraram não foi nem por eu saber alemão, ou falar inglês, mas foi da força de vontade de morar num país distante, mas não só por isso, na desenvoltura que eu tinha com a língua. Eles pensavam no começo que eu só sabia uma língua; eles pensavam que eu só sabia inglês. Eu disse: “Não. Eu moro aqui e falo alemão, as empresas alemãs não se conformam em só ler, se você não sabe alemão você realiza melhores negócios. E a minha função aqui é melhorar o negócio de vocês”. Melhorou muito, Siéllysson, porque vieram muitos visitantes alemães visitar o stand (paulista). Eles viram a importância que era ter uma pessoa que representasse o Brasil, mas que falasse alemão. Os vários problemas que tiveram no stand (...) organizadores da Feira em Frankfurt não sabiam falar inglês, alguns não podiam se comunicar em outra língua só em alemão, para eles me terem como representante deles, como intérprete, foi um papel muito importante. No terceiro dia o respeito foi maior, os paulistanos já não me viam como o paraibano que saiu do interior para outro país. Eles me viam como uma pessoa competente.
SIÉLLYSSON - Teve algo desagradável?
FLÁVIO - Sim. Teve no início comentários desagradáveis como “Paraibanos na sabem de nada”. No início foi difícil porque não foram funcionários de empresa, foram os próprios donos. Eu tive a oportunidade de conhecer industriais, donos de empresas em São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul. Foi uma experiência super boa. Este ano que vem vai ter de novo e eu vou estar.
SIÉLLYSSON - Você acha que essa entrevista pode lhe comprometer?
FLÁVIO - Não. Essa entrevista não me compromete em nada. (risos)
Acredito que eles não tinham a expectativa de ter uma pessoa (intérprete) para eles. Eles tinham uma mentalidade... (pensa) Como se São Paulo é tudo para eles. Perceberam que não é assim. No segundo ano que fui, a segunda empresa que estava lá era de Recife e um dos diretores era de Recife e já tinha vivido cinco anos no Canadá falava francês. Eles (os paulistas) viram o quanto os nordestinos estão em todos os cantos.
Houve visitantes que estiveram por lá e que fizeram o comentário a mim: “Você sabe que tem muitos nordestinos que vivem em São Paulo pra ganhar dinheiro?” e “eu sei.” A resposta que eu dei para eles “O tempo atual os nordestinos querem está fora do Brasil, ocupar outros espaços.”
Eu tive muitas experiências, atendi muita gente do Ceará, do Piauí que estão na Alemanha. Hoje há brasileiros em Universidades na Alemanha, como minha amiga de trabalho que parou o trabalho para estudar medicina lá, e ela é de Fortaleza. Acho que as coisas mudaram um pouco, essa visão do nordeste em si não é mais como 10 anos atrás, que saia daqui e procurava emprego nas regiões mais favorecidas do Brasil.
SIÉLLYSSON - Você sentiu em outros momentos a discriminação por você ser brasileiro, além desse momento inicial?
FLÁVIO - Teve uma situação que aconteceu com um grupo onde eu trabalho. Eu trabalho numa empresa química, na parte de contabilidade – eu trabalho para Portugal, Alemanha e parte da Espanha – então esse grupo (de brasileiros) chegou no começo da semana e me informaram para recepcionar esse grupo de 10 pessoas que vinham de São Paulo. A recepção que eu tive com esse grupo foi de imediato porque eu estava feliz por eles ser um grupo de brasileiros, pessoas que vinham da minha terra. Só que na prática a recepção não foi tão calorosa como eu esperei, pois no primeiro “Bom Dia” que eu dei eu recebi um “não bom Dia” e sim uma pergunta: de onde é que eu vinha do Brasil, eu respondi que vinha de uma cidade pequena chamada Santa Rita e pertence à Paraíba. Foi somente um que fez a pergunta. A pergunta foi com tom de discriminação. Depois a admiração dele “Ah, mas você é paraibano? “Um paraibano aqui em Berlim?” E depois outras perguntas, me questionou se eu sabia alemão e quanto tempo eu estava vivendo na Alemanha; na ideia dele eu morava apenas dois anos, eu falei para ele “Não. Eu moro há 13 anos” Ele se admirou: “Ah, você fala alemão!” Eu disse “Sim, eu falo!” Eu tinha que levá-los aos departamentos da empresa; apresentar cada um e quando eu comecei houve uma certa resistência porque na entrada tinha que usar um crachá e eu falei pra eles que iriam entrar como visitantes, ele não gostou, se achou discriminado, “Não, não. Como pode eu sou da mesma empresa em São Paulo? “No Brasil a empresa é bem maior, a gente é da mesma empresa e lá não precisa pegar nenhuma credencial (crachá)” Respondi: “Bem, aqui na Alemanha tem que ter a credencial pra entrar; tem suas normas, tem que ter a credencial pra entrar”. Ele não aceitou, mas acabou pegando a credencial pra entrar. No percurso que a gente começou a fazer em turismo da empresa, enquanto eu explicava havia sempre umas perguntinhas que não tinham nada haver, como: “Você sabia que existem muitos paraibanos em São Paulo, que vão Pra lá ganhar dinheiro?” “Sim, já ouvi muito, há muitos nordestinos no geral...” Eu falei pra ele: “Nos das de hoje os nordestinos não tem tanta ambição em morar em São Paulo e Rio de Janeiro; a ambição do nordestino se expandiu pra Europa e países de outros continentes.” Aí eu pensei que ele ia se dar por satisfeito, mas não se deu por satisfeito ainda e fez outros comentários, daí eu falei pra ele: “Olha, a empresa aqui tem uma regra interna, são leis internas, um estatuto da empresa na Alemanha que diz que qualquer tipo de discriminação seja por cor, por sexo, por idade ou origem podem ser motivos de demissão. Então quero lhe pedir pra o Senhor se concentrar mais no que estou lhe explicando. O meu intuito aqui não é explicar a origem de quem é paraibano ou quem não é, isso não importante nos dias de hoje; o que todos querem saber é sobre a empresa e não sobre a origem de cada um”. Aí ele se conteve mais, não questionou mais. Acho que ele ficou até com medo, porque a minha chefe na época ficou querendo saber o que o que estava acontecendo, que “bate-boca” era aquele. Eu fiquei o mais calmo possível dentro do profissionalismo, embora por dentro estava fervendo, morrendo de raiva (risos). Acho que o sangue paraibano estava subindo (gargalhadas nossas). Mas, graças a Deus ele parou.
SIÉLLYSSON - E o lado bom de trabalhar como intérprete em empresas, feiras na Alemanha?
FLÁVIO - As pessoas tiveram a oportunidade de mudar a visão, que lá fora não só existe uma classe de pessoas, não só existem paulistas.
O lado positivo para mim é que meu trabalho foi bem aceito. Eu faço trabalho na Feira (Amostra) só pra esse sindicato, já faz cinco anos. Trabalhos extras também aparecem mais esse é o trabalho que mais me marcou como intérprete. É uma coisa que não deixei, continuo fazendo, além do meu trabalho fixo na empresa. Graças a Deus, é um presente do Senhor ter conquistado isso. Pra mim é uma prova do que o esforço vale à pena.
Já tive na época (inicial) pensamento “Acho que não é pra mim” “O que eu to fazendo aqui?” Já tinha surgido muito esse pensamento, mas acho que quando a gente persiste num sonho, mais tarde você vê que vale apenas tentar.


Entrevista 22 - PARTE II



Nesta segunda parte da entrevista com Flávio Lopes, ele fala da emoção de encontrar a cantora Adriana Calcanhoto em Berlim e jantar com ela, sua amizade com o cantor Edson Cordeiro, sua visão sobre o Brasil e Alemanha e revela o que o prende a cidade de Santa Rita.


SIÉLLYSSON - A sua vontade de morar fora do Brasil veio pelo estudo da língua ou por uma identificação com uma cultura não-brasileira, uma cultura europeia?
FLÁVIO - Eu estudava inglês, então pensava que ia parar ou nos Estados Unidos ou  na Inglaterra. Acabei num país que não tem nada há ver com o inglês. Mas, eu sempre me interessei pela história da Alemanha, quando eu estudei a língua me veio o questionamento “Como um país que passou por guerras tão fortes, Primeira e Segunda Guerra Mundial, e mesmo tendo sido destruída em menos de 50 anos esse país se reconstruiu de maneira rápida?” Isso me deu a vontade de conhecê-lo.
O primeiro livro de alemão que peguei foi na Universidade era um livro super velho, acho que era de 1901 ou alguma coisa assim; era um livro didático para estrangeiros, eu consegui por meio de um amigo que me emprestou. Eu comecei estudando em casa a língua e como foi fascinante porque as letras do livro ainda eram em estilo gótico. Tudo isso era fascinante. Mas, o que incentivou a morar fora, não nos Estados Unidos e nem na Inglaterra foi pelo país (Alemanha) ter me fascinar tanto.
SIÉLLYSSON – Você tem uma identificação com Alemanha até porque são 13 anos vividos nela. Qual é a pátria de um estrangeiro, sua origem ou sua identificação?
FLÁVIO - Eu digo que a pátria é onde a gente se sente bem. Para mim, eu seria infiel em dizer que minha pátria é Alemanha, mas seria também um pouco infiel, só um pouquinho, (risos) em dizer que a Alemanha não é minha pátria porque construí uma parte de mim lá. Pátria é onde você construiu parte da sua história, lá construí parte de mim. Tenho uma identificação com eles muito forte e foi lá que terminei uma parte dos meus estudos, consegui meu emprego, meu “ganha pão”, foi lá que consegui uma estabilidade financeira. Tenho meu emprego fixo, tenho meu lugar, meu apartamento. (rir e diz uma graça) Paraibano se sente satisfeito com pouca coisa (rimos juntos) No pouco que conquistei estou feliz!
SIÉLLYSSON - Não é pouco, pois são tantos brasileiros que não têm moradia, emprego, etc.
FLÁVIO - Claro. Digo “pouco” de uma maneira modéstia. Identifico-me também com isso. Vi que o país não me subestimou, ele simplesmente honrou justamente o que cada um sabe, o que você é, o que você adquiriu [ele fala de reconhecimento do estudo] Aquela questão de meritocracia, é o fato de o país honrar aquilo que você mereceu. Lá na Alemanha você não vai pra lá pra conseguir um emprego em qualquer lugar; você tem que ter um motivo para dar pra eles pra que eles te entreguem... (risos). Acho que eles viram em mim algum motivo e eu dou graças a Deus por isso. (rimos)
SIÉLLYSSON - Você acha que no Brasil eles não reconhecem o estudo, o esforço do seu povo?
FLÁVIO - Acho que tem muitos brasileiros que reconhece. Há muita gente boa em nosso país, infelizmente falta questão da meritocracia. Um país que dá uma medalha da Academia de Letras a um jogador. Eu não preciso dizer mais nada? Eu só tenho pena de Machado de Assis (risos). Tanta gente boa na parte da literatura, gente que tem lutado pra melhorar a língua portuguesa... Acho que o Brasil deveria avaliar mais a quem ele dá o mérito. Isso foi algo que acompanhei de fora e me entristeceu muito.
SIÉLLYSSON - Como é visto o Brasil musicalmente na Alemanha?
FLÁVIO - Em relação à música o Brasil é visto e maneira muito positiva na Alemanha. Poderia ser negativa, mas não é, por exemplo: é tido o Brasil como um país alegre em que as pessoas são solidárias demais e isso conta muito pra eles (alemães). O visitante quando chega à Alemanha que diz que é brasileiro é recebido de uma maneira diferente de outros países, por exemplo: o Brasil tem algumas coisas comuns com a Alemanha como o catolicismo, uma parte dela é muito católica também; a parte da música o Tom Jobim, Chico Buarque são muitos conhecidos, a bossa nova é muito conhecida. Você chega a um bar superfino e tá tocando bossa nova. Pra a gente que mora mais tempo na Alemanha, a gente passa a se identificar com um estilo de música que a gente não tinha o hábito de escutar aqui. A música clássica, por exemplo, tem um papel importante, infelizmente no Brasil não é tão cultivada.
Em minha convivência com Edson Cordeiro eu passei a ouvir Don Giovanni, Mozart, porque ele canta tudo isso, então, pra mim, um brasileiro como Edson Cordeiro que é uma referência na música clássica na Alemanha é um orgulho, e não ser “na boquinha da garrafa”. (risos) Sei que o Carnaval é parte da nossa cultura, mas a “boquinha da garrafa” e outras são demais! Quando se fala em Brasil lá, se fala de bossa-nova, “garota de Ipanema”. Em restaurantes que de vez em quando vou está tocando “Garota de Ipanema”.
SIÉLLYSSON - E como foi seu encontro com Adriana Calcanhoto? Você trabalhou como intérprete dela ou tradutor?
FLÁVIO - Como intérprete ou tradutor dela não trabalhei. O encontro com ela aconteceu um tanto “terceirizado”. (riso) Porque eu conheço Edson Cordeiro e a gente foi ver um Show de Adriana Calcanhoto, depois do Show fomos parabenizá-la. Ela nos recebeu super bem e depois do show fomos comer todos juntos, então foi um prazer sentar-me com Edson Cordeiro e Adriana Calcanhoto numa noite muito agradável.
SIÉLLYSSON - Você voltaria hoje para o Brasil?
FLÁVIO - É difícil lhee dizer isso, mas teria que acontecer muitas mudanças no Brasil para que eu pudesse voltar, porque o que me cativa na Alemanha fora meu emprego é questão da segurança. Nós não temos lá assaltos na rua, porque ladrões não roubam civis, eles assaltam bancos, joalherias (...) É exatamente isso que me encanta. A gente sai às 3 horas da madrugada vai pra casa à pé e não acontece nada, isso é o que me fascina, a liberdade que as pessoas têm. Quando os policiais nos encontram na rua “Está fazendo o que agora? Vai pra onde?” Eles te perguntam pra saber se você tá bem, eles lhe dão assistência, politicamente na Alemanha tem maneira diferente de lidar com o cidadão, é mais de preocupação, são mais educados, eles não se deixam se subornar, são super corretos, são rígidos e comprometidos com a lei. Acho que isso tem haver porque são bem pagos.
Na Alemanha ninguém vai roubar seu relógio, coisas que você comprou com tanto suor; isso é o ideal pra mim. No dia em que a segurança no Brasil for boa, com a economia boa eu poderia dizer “É! Agora é hora de voltar.” Não quero morrer na Alemanha.
SIÉLLYSSON - O que te prende à Santa Rita é sua família apenas?
FLÁVIO - Não. É a identificação com o lugar que em que nasci; se um dia eu deixasse de voltar aqui à Paraíba, a Santa Rita seria negar o meu passado. E o ser humano não é feito só de futuro e presente, é de passado também. O que sou hoje, por exemplo, é fruto de um pouco de mim no passado, um pouco de mim no presente. O motivo de voltar não é minha família apenas, são as minhas raízes.

(O restante do que conversamos, relembramos e rimos não ficou gravado em nenhum gravador, mas no nosso coração e nas nossas lembranças que permanecerão para sempre. O meu muito obrigado por esse momento, Flávio)

Entrevista publicada em 10 de outubro de 2012, às 18:11

quarta-feira, 25 de setembro de 2013



Entrevista 21


Iniciou sua carreira de pianista na Igreja Batista, dedicou-se a música clássica até se apaixonar pela música popular, pelo Jazz. Tocou nos Estados Unidos, Nova Zelândia, hoje está no Brasil e sua pátria é o amor à música, Dhiego Heráclito é mais um santarritense que faz a diferença.

Já viajamos juntos para cidades interioranas da Paraíba, já tivemos muitas crises de risos na adolescência, ele tocou no lançamento do meu primeiro livro.  Acompanhei sua carreia à distância, seu nome foi dos primeiros que pensei quando tive a ideia da seção “Café com Siéllysson”, porém desde sua vinda para o Brasil, nosso tempo foi de desencontros, mas quase duas horas de entrevistas e conversas que não vão entrar aqui nesta seção me fizeram admirar muito mais esse pequeno grande homem.

SIÉLLYSSON – Como foi trabalhar numa banda de jazz norte-americana?
DHIEGO - Foi um trabalho que começou aqui no Brasil, não a Big Band que a gente tinha lá, mas no Brasil a gente tinha um grupo reduzido de uma Big Band, bem mais fácil e mais prático de ser trabalhado do que uma Big Band, que requer muitos instrumentalistas, dá mais dor de cabeça por trabalhar com muitas pessoas. Trabalhei com um grupo de Jazz no restaurante Fellini, mas que infelizmente teve que acabar devido à viagem. Lá nos Estados Unidos eu dei continuidade a esse trabalho com uma Big Band, um grupo de jazz com mais ou menos 40 componentes. Foi uma novidade porque nunca tinha trabalhado com um grupo tão grande. É prazeroso, mas complicado. Trabalhar com muitos instrumentalistas e você tem que encontrar o seu espaço naquele grupo. Você tem que descobrir qual é o seu papel na Big Band como pianista.

SIÉLLYSSON  - Havia brasileiros com você na Big Band?
Não nessa Big Band. Lá existia um pianista e aí, graças a Deus eles gostaram do meu trabalho e contrataram sem precisar tirar o outro pianista. Ficamos revisando nas músicas.

SIÉLLYSSON – Como surgiu essa oportunidade de você tocar nessa Big Band já que você foi para os Estados Unidos sem conhecer ninguém?
DHIEGO - O pessoal passando pelas salas de estudos na Universidade... lá tem sala de estudos de piano, ouviram e disseram ao regente “olha, tem um menino brasileiro ali que toca bem. Ele é brasileiro mas não só toca bossa não, ele improvisa também”. A ideia da Big Band é a improvisação, dão o tema e depois tome improvisos.

SIÉLLYSSON – Quanto tempo você passou nessa banda?
Eu entrei na banda três meses depois que cheguei aos Estados Unidos e aí fiquei até voltar para o Brasil, então, foi entorno de 9 meses.

SIÉLLYSSON – Como surgiu a ideia de ir para Nova Zelândia e fazer uma carreira musical lá?
DHIEGO - Quando eu comecei lá na Nova Zelândia meu papel era totalmente diferente, no início não tive nenhuma função como músico, eu era músico em casa, para sociedade eu tinha um trabalho numa empresa de transporte. Meu objetivo era exatamente este conseguir estabilidade financeira para manter minha família para depois entrar de cabeça na música. No decorrer dos três primeiros anos isso foi acontecendo com mais frequência, a música estava se tornando mais significativa, do que o trabalho em si. Foi uma experiência muito gratificante, conheci muitos neozelandeses que tinham afinidades com músicas brasileiras e aí se encaixou, um baixista gostavam muito de nossa música...

SIÉLLYSSON  - De qual estilo?
DHIEGO - Bossa Nova, música latina em geral. Infelizmente devido ao terremoto tivemos que voltar para o Brasil.

SIÉLLYSSON – Como foi à readaptação no Brasil para você que já tinha feito parte de um grupo de jazz, murou noutros países com músicas diferentes e voltar para o Brasil? Hoje o que você toca?
DHIEGO - Voltar para o Brasil me faz relembrar a Nova Zelândia quando cheguei lá pensei: “vou conseguir um trabalho em qualquer área para, estudar e entrar no ramo da música”. No Brasil, está sendo mais ou menos nesse sentido porque para o que quero fazer o mercado é escasso. O grupo é muito seleto, o grupo que gosta do estilo de música que quero fazer.
Quando cheguei ao Brasil tive que iniciar no comércio do meu pai, num horário e noutro dando aulas de inglês para eu ter minha estabilidade financeira para poder fazer o meu trabalho de músico paralelo a essas atividades. Hoje já não estou mais no comércio do meu pai...

SIÉLLYSSON – Está vivendo da música?
DHIEGO - Isso. Mas ainda dou aulas de inglês que é uma carga horária pequena semanal. Mas se eu deixasse as aulas de inglês hoje eu conseguiria viver da música tranquilo. Sem nenhum problema!

SIÉLLYSSON – Hoje você está tocando num restaurante francês aqui em João Pessoa. Qual estilo musical você toca: francesa ou jazz norte-americano?
DHIEGO - O público do restaurante francês é um público que realmente me identifico, porque eles gostam de jazz, são pessoas que viajam para fora do Brasil, conhecem outras culturas, estão lá para escutar música francesa, jazz, bossa nova. Você está tocando aí chega um pedido Frank Sinatra... É um trabalho muito gratificante. No outro restaurante é um trabalho onde faço piano solo com um público mais misto, todos os estilos de gostos... Foi bom para mim como profissional, toco todos os lados da música, do bolero, baião, bossa, às vezes sai até uns bregas estilizados (rir). Não esses bregas de plásticos; já que o povo gosta faço adaptação para piano que não soei tão brega, mas algo bem estilizado. No restaurante francês estou lá dois anos; agora toco com o violonista Rinaldo Vitorini (já entrevista neste blog) A gente sempre está alternando os dias. A vantagem para mim é que lá no restaurante é um piano acústico, meia calda, o que tem modificado minha técnica, que é diferente estudar num piano digital. É totalmente diferente. Hoje tenho um repertório de mais de 600 músicas.

SIÉLLYSSON – Você também faz um trabalho como pianista numa igreja evangélica. Fale um pouco sobre essa experiência.
DHIEGO - Foi na igreja onde tudo aconteceu e até onde hoje tenho desempenhado esse papel como um levita. Sou pianista do Coro da Igreja Batista Evangélica de Jaguaribe e não é simplesmente um coro qualquer; não é um pessoal que se junta para cantar. É feito um trabalho vocal com especialista que a igreja paga, eu sou remunerado como músico. Nossos músicos são todos remunerados. Agora mesmo nesse dia 22 (setembro) estaremos gravando nosso DVD, não é comercial, mas para levarmos nos lugares que nos apresentamos, festivais... As pessoas perguntam se temos algum material. Então, queremos fazer esse trabalho para esse público que quer escutar um coral de qualidade em casa.

SIÉLLYSSON – Qual é a sua perspectiva profissional?
DHIEGO - De que futuramente, não muito distante, eu saia do Brasil levando todas as minhas experiências dos Estados Unidos, do Brasil e da Nova Zelândia. A minha volta para o Brasil foi um erro, eu deveria ter focado nos Estados Unidos e ter terminado meu curso de música erudita, eu estava visando muito à música popular acabei abandonando o erudito. A experiência da Nova Zelândia também ajudou, por ter que trabalhar em outras coisas. Agora, quando eu sair do Brasil terei que ter minha independência financeira para me dedicar exclusivamente a música. É nesse momento que vou colocar em prática tudo o que eu sempre sonhei, CD, minhas ideias musicais que tanto almejo.
Hoje eu trabalho com inglês, por ter morado em países línguas inglesas para mim não é nenhum esforço está ensinando inglês, só que a questão da carga horária de ter que está na escola. Dá aulas é bom porque em mantenho meu inglês e me dá a condição financeira para que eu construir minha independência e daqui à um ou dois anos volto para os Estados Unidos, colocando em prática meus sonhos.

SIÉLLYSSON – Você participou recentemente do Festival de Areia-PB. Como tem sido essas participações suas em festivais regionais? No que o público aqui é diferente do público de fora?
DHIEGO - Quanto mais sofisticado a música, mais complicado você toca, menos valorizado você é, porque a cultura do povo ainda é inocente. Se levar Chico Buarque, as pessoas não vão entender o que ele está dizendo, se você leva “eu quero Tchu, eu quero tacha...”, essas porcarias, todo mundo gosta, ninguém quer se esforçar intelectualmente entender o que aquele trabalho está sendo dito, para que intelectualmente aquilo tenha um significado na vida dele. Eu quero simplificar (ar de riso leve) Quanto mais você trabalha numa música, mais o povo acha estranha. Olha, Siél, eu comparo a população de João Pessoa que deve ter em torno de 700 mil, e lá fora tocamos em cidadezinhas de no máximo 20 mil habitantes, e dá de mil por cento em cultura nessa cidade. Eu espero que essa fase boa econômica do Brasil venha influenciar na cultura. Que as pessoas tenham acesso à cultura de qualidade, que consumam coisas boas, que leiam bons livros... falo de cultura em geral, escute uma boa música, vá ao teatro, para que tudo isso faça parte da cultura das pessoas. Veja, a Orquestra Sinfônica da Paraíba se apresenta de graça e o número de pessoas é sempre pequeno. Você ver que o melhores festivais de música estão fora, O Brasil é um país emergente, mas o que me parece é que sempre o valor econômico está acima do cultural, as pessoas querem saber de posses, de coisas materiais e não de cultura, de intelectualidade.

SIÉLLYSSON - Certa vez o autor cubano Reinaldo Arenas (Antes do Anoitecer) disse que a pátria de um escritor era uma folha em branco. E a pátria de um músico?
DHIEGO - Essa é boa! Quando se fala de pátria se fala de amor ao seu país. Pátria de um músico é a música, amor à música, amor este que você agregou a sua vida inteira à música.

SIÉLLYSSON – Você e Rinaldo Vitorinni são músicos santarritense mas que precisaram sair da cidade de Santa Rita por uma questão de sobrevivência cultural. E como você ver a cidade de Santa Rita hoje culturalmente falando?
DHIEGO - Eu já acho João Pessoa morta culturalmente falando. Em Santa Rita não existem nenhum tipo de incentivo a cultura, infelizmente. Quando eu penso em você Siéllysson, pessoa que dentro de Santa Rita, que tem valorizado a cultura. Você se deslocou para cá para fazer essa entrevista... a gente tinha falado sobre a preciosidade que é o tempo, só você ter se descolorado de Santa Rita para essa entrevista e sei que não termina aqui, você vai ter que fazer a digitação, edição, postar no seu site, e tudo isso requer tempo em troca de quê? Da cultura, você não está ganhando nada com isso, ninguém paga nada, nenhum site... A cidade de Santa Rita precisa de pessoas como você...

SIÉLLYSSON - Eu acho que a cidade precisa de memória, a gente já teve músicos famosos que ninguém sabe nada deles, eu não quero que isso aconteça com você e com tantos outros artistas, então por isso o que faço é uma forma de registro, mesmo que isso não seja reconhecido agora, mas vai ficar para sempre essas entrevistas. Esses artistas entrevistados, tem um local de origem: Santa Rita, embora, a cidade não seja tão grande para comportar  talento de todos vocês...
DHIEGO - Até em outras cidades que tem festivais, como Areia, nós estivemos lá. A cidade investe em artes em geral, mas, muitas vezes a questão política, o foco não é a arte em si, por exemplos: várias atrações acontecendo no mesmo horário, achei confuso. Por que não faz uma coisa de cada vez para que o público prestigie a todos? O objetivo não é arte? A gente tem que analisar: “estão realmente querendo divulgar a arte ou divulgação da política, da cidade... e a arte é só um pretexto?

SIÉLLYSSON - Você acha que um dia a realidade de nosso país muda, de focar interesses culturais em vez de interesses políticos?
DHIEGO - Espero que sim, quando se trata de política é complicado dá uma opinião concreta, mas espero que sim; espero que estejam abertos a cultural local. “O que temos de bom para oferecer?” que não pensem “Vamos trazer tal artista porque é famoso e vai trazer turistas para cidade, mas o que temos para oferecer de bom que é nosso? O que a arte dele pode acrescentar de bom?” Não podemos fazer as coisas aleatoriamente, vamos colocar tal músico por que carrega multidões, assim vão colocar só besteiras, porque é o que pega mesmo, como os forrós de plásticos... Um festival de arte tem outro sentido, é valorizar a arte por ela mesma, não porque o cara tem nome. Entendeu?

SIÉLLYSSON - Que conselho você deixa pra quem quer ser um pianista?
DHIEGO - Dedicação, disciplina, treino...

Imagem: do acervo de Siéllysson
Entrevista publicada em  15 setembro 2012 18:12 (sábado)

terça-feira, 24 de setembro de 2013



Entrevista 20


Ele é Ator, Professor, Coreógrafo, Diretor artístico e Produtor Cultural, atuou numa ONG Pro Dia Nascer Feliz e tem uma longa trajetória na Arte deste município. Adriano Araújo é mais um santarritense que faz a diferença.


SIÉLLYSSON – Quando começou sua vocação para o trabalho de produtor cultural, pois é isso que você fazia na ONG "Pro dia Nascer Feliz”, não é?
 ADRIANO - Na verdade eu venho de uma família de artistas onde minha infância foi convivendo com meus pais produzindo os shows musicais dos meus irmãos. Minha casa sempre foi um espaço de produção cultural a exemplo de blocos carnavalescos, batucadas, artes plásticas entre outras. Sou educador físico de formação, participei de curso de Iniciação e formação Teatral pela FUNESC – Fundação Espaço Cultural e estudei danças em várias escolas de João Pessoa e Santa Rita e como agente e ativista cultural, resolvi produzir minhas vontades culturais.

SIÉLLYSSON – É de longas datas o trabalho com a terceira idade que tanto você quanto sua irmã realiza, mas iniciou-se quando vocês eram funcionário da prefeitura, com a mudança de governo, não houve mais espaço ou vocês resolveram levar de maneira independente esse trabalho? E por quê?
ADRIANO - Não houve mais espaço, isso nos estimulou a buscar a independência, surgindo assim a ONG Pro Dia Nascer Feliz, que temos como espaço físico a casa de Luiza flores como sede provisória.

SIÉLLYSSON – Sua irmã é muito conhecida pelas produções artísticas e pelo lado criativo dela. A ideia de oficializar todos os anos de trabalhos voluntários ou não no mundo artístico, por meio de uma ONG veio de quem sua ou dela?
ADRIANO - Dos dois, participamos de um governo municipal e quando saímos decidimos dar continuidade as ações culturais de forma independente, então veio um convite de um grupo de amigos a exemplo de Marcos Ferraz, Marcelo Gomes, Virginio Veloso, Luíza Flores, Denise Miranda, Chiara Louise, Ricardo Nunes, Oscar Duarte, Rosa Bandeira entre outros, para criarmos uma instituição voltada para atender a população no sentido de contribuir para a inclusão social através das políticas culturais, esportivas, educacionais e ambientais.

SIÉLLYSSON – Por que a ONG tem um nome que foi retirado de uma frase da música de Cazuza? Deu algum problema com direitos autorais?
 ADRIANO - Achamos a frase muito esperançosa e forte, mandamos um email para a mãe de Cazuza e ela não autorizou alegando que toda a obra de cazuza tinha que gerar receita para a fundação Viva Cazuza. Tentamos explicar que nosso trabalho era sem fins lucrativos e que se o mesmo fosse vivo ficaria orgulhoso por esta ação. Mas não obtivemos sucesso, daí consultamos um advogado e ele sugeriu a utilização da frase sem atrelar a imagem de Cazuza. Chegamos a uma conclusão de utilização do sol em forma de um mascote representado o dia nascendo feliz.

SIÉLLYSSON – A parceria da ONG “Pro Dia Nascer Feliz” com a Empresa Alpargatas deu uma levantada nos trabalhos de vocês, principalmente na área de esportes que é sua área. Como aconteceu essa parceria?
ADRIANO - Sou educador físico de formação, participei de curso de Iniciação e formação Teatral  pela FUNESC – Fundação Espaço Cultural e estudei danças em várias escolas de Joao Pessoa e Santa Rita. A ONG surgiu em 13 de agosto 2005, foi elaborado um projeto chamado Dançando na Melhor Idade, onde o mesmo tem uma abrangência de ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida da pessoa idosa utilizando a dança, o teatro, a recreação e o lazer. No ano seguinte foi escrito o projeto chamado Ciranda Cultural e Esportiva que tem como objetivo principal reduzir a evasão escolar, melhorar o rendimento do aluno na escola e contribuir para a cultura de paz. Apresentado ao Instituto Alpargatas a ONG PDNF Foi contemplada com a parceria, onde mais de dois mil estudantes de Santa Rita já foram beneficiados. O projeto oferece oficinas sistematizadas  de teatro, danças populares, percussão, canto coral, violão, futebol de campo e futsal, além de um calendário de eventos em nossa cidade com ações abertas e gratuitas para a população , tais como: Bloco Foliões da Melhor Idade,  Arraiá Pro Dia Nascer F eliz,  Projeto É Hora de Brincar,  Mostra Cultural, Esportiva e o  Auto de Natal. A parceria com o Instituto Alpargatas rendeu bons frutos, a ONG aprovou outro projeto chamado Educando pelo Esporte através da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, contemplando cinco cidades Paraibanas, sendo elas: Alagoa Nova, Guarabira, Mogeiro, Ingá e Serra Redonda, o objetivo do projeto e implementar as aulas de educação física escolar realizar os jogos escolares, uniformizar os estudantes e professores nas aulas de educação física e capacitar os professores através de formação continuada com temas transversais além de distribuição de kits esportivos e didáticos para as 50 escolas selecionadas pelo projeto sendo 10 de cada cidade. Já foi finalizado o Educando pelo Esporte I, está em andamento o Educando Pelo Esporte II, aprovado o “Educando pelo Esporte III” para o próximo ano e o BNB Cultural para realização do Auto de Natal no corrente ano.

SIÉLLYSSON – Como você mesmo citou o trabalho da ONG tem crescido muito, tem o trabalho com a terceira idade, O Auto de Deus, trabalhos educativos e Esportivos em escola. Qual desses lhe trouxe maior realização pessoal?
ADRIANO - Quando ainda era estudante de educação física, no segundo período tive a oportunidade de conhecer um asilo chamado ASPAN – Lar Fabiano em João Pessoa, isso foi paixão a primeira vista pela pessoa idosa, então naquele momento falei pra mim mesmo “eu vou estudar o envelhecimento e levar a dança como ferramenta para a reinserção do idoso na vida social” e nunca mais parei de estudar, onde a cada dia sinto mais prazer em trabalhar com pessoas idosas. Hoje chamam o asilo de instituição de longa permanência, mas para mim continua sendo asilo. Gosto de tudo que a ONG realiza, adorei o tempo que passei na mesma. Mas a paixão pela terceira idade fala mais alto dentro de mim. "O idoso não pode ser visto como um fardo, mais sim como uma fonte de experiência". Frase da Minha orientadora Professora Doutora Rosilene Guedes Lucena.

SIÉLLYSSON – Você teve um trabalho na ONG que é santarritense, é concursado em outros municípios, mas escolheu João Pessoa para viver. Por quê?
ADRIANO - O que me fez morar um tempo em outra cidade foi à falta de espaço de trabalho e valorização profissional para com a minha pessoa.  Além da magoa que guardo dentro de mim até hoje pela destruição do teatro/oficina de artes e do Grupo de Cultura Popular Massapê onde dancei e aprendi muito sobre o folclore brasileiro. Eu costumo dizer que uma cidade sem investimentos na cultura gera um povo sem identidade. Além disso eu precisava sobreviver, então a cidade de João Pessoa e outros municípios me deram a oportunidade de continuar a exercer minha profissão. Eu costumo brincar com o amigo chamado Valdir Lima onde ele me diz que sou pé na estrada o homem das quatrocentas mil cidades. Mas a minha raiz está no antigo bairro do cercado, hoje bairro da liberdade na minha Santa Rita. Lá saí do ventre de minha mãe D. Nena. É o meu berço, onde passei minha infância, adolescência, juventude e a gora a fase adulta, ou seja, toda minha história se encontra ali.

SIÉLLYSSON – O que você gostaria de realizar como obra para poder olhar para trás e dizer; “eu deixei essa contribuição que tanto me orgulho”? Ou o que já fez já lhe realiza como Ser humano?
ADRIANO - Na verdade são várias, a primeira será ajudar a construir a tão sonhada sede da ONG Pro Dia Nascer Feliz, ou seja, um centro cultural onde os santarritenses poderão se alimentar de leitura, música, teatro, dança, cinema, culinária, exposições entre outras; continuar lutando pela criação do Conselho de Proteção ao Idoso e sua funcionalidade e  antes de partir para outra vida, estrear um espetáculo dirigido por mim no tão sonhado e esperado teatro Municipal de Santa Rita.

Entrevista lançada em 06 agosto 2012 às 00:45

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